domingo, outubro 31, 2010



Tchau tchau amor


Acabou a possibilidade de continuísmo de um governo desastrado.

Ana Júlia como se sabe, em 2007 caiu de paraquedas na cadeira número um do Executivo paraense, mais por incompetência do partido do governo que a antecedeu e que agora a sucederá a partir do primeiro dia do ano vindouro.

Já era tempo, vou dormir esperançoso que a mudança possa trazer ao povo novas possibilidades de melhor prestação do serviço público.

Foram quatro anos de desmando de "cumpanhêros" amadores naquilo para o qual foram investidos.

Ex-marido, ex-cunhado, namorado, cabeleireira, manicure, parentes, amigos e cumpanhêros sem a mínima capacidade de gestão foram a tônica desse (des)governo que não deixa saudade, pelo menos para mim.

Ana Júlia ao receber um mandato de graça, como se diz coloquialmente, se tivesse um mínimo de inteligência para prosseguir em sua vida política, teria que romper com o modelo nepótico que predominou em sua decadente gestão.

Foi uma chance que provavelmente nunca mais terá, passando à História como a primeira mulher a governar o Estado, mas que não conseguiu se reeleger, apesar de ter à disposição toda a máquina do Estado e ajuda da União, através do presidente que lutou para eleger não só a sua candidata sucessora, como eleger e reeleger todos de seu partido.

Já vai tarde.
E na reorganização do partido, na avaliação de seu desempenho enquanto candidata, membro da facção minoritária, Ana Júlia será alijada, passando 4 anos sem mandato, a não ser que queira participar da próxima eleição municipal. Será que ela vai começar do começo, como vereadora?

Mas, isso também vai depender de seus cumpanhêros de legenda.

E se perder? Afunda mais ainda.

Restará, a tentativa de voltar ao parlamento, ou quem sabe nesse tempo ocupar a pasta de algum ministério de pouca relevância, como o que foi ocupado recentemente por um paraense do partido lulista.

Ou quem sabe um autarquia como o Ibama, que foi dirigido regionalmente por seu ex-marido?

Mas tudo isso será infinitamente menor do que a chefia de um governo do qual usou e abusou, nomeando centenas de assessores.
Com certeza vai lamentar por um tempo, transferindo a culpa do insucesso a seus áulicos.

Thau thau amor é o título de um brega que empresto a este texto, tocado muito por estas plagas.
Mas, parece mais adequado os versos de Torquato Neto:

"Adeus, vou pra não voltar ...", a partir de meia-noite do último dia do ano.


sexta-feira, setembro 24, 2010


Sine die


O Brasil continua sendo o país das coisas inusitadas, do imprevisível. Mesmo? Ou uma parte do povo pensa assim e os demais acham previsível demais? Refiro-me ao julgamento que iniciou na tarde de ontem e terminou na madrugada de hoje no Supremo Tribunal Federal (STF), com o incrível, surpreendente, empate de 5 a 5. Mesmo? Alguém aventou essa hipótese? Claro. Já havia sido cogitado pela mídia. E já havia o exemplo do caso do condenado italiano que terminou empatado e continua assim até hoje. Muita gente já sabia disso, até quem votaria como. Mas, somente o presidente da mais alta corte do País, a corte constitucional, a nossa suprema corte, não contava com esse escore. Pareceu até escore de jogo de futebol que vai ser decidido com tiros livres na marca do penalty e todos acertam os cinco primeiros chutes. E o próximo vai definir o jogo. Mas, o árbitro se sente mal, a luz apagou, o campo foi invadido e o jogo ficou para ser decidido outro dia. Quando? Só Deus sabe. Se fala tanto em previsibilidade e segurança jurídica, mas, parece que isso foi jogado para escanteio. Qualquer integrante de tribunal, seja esportivo, de briga de galo etc, sabe que qualquer colegiado deve ter número ímpar de integrantes. E em caso de empate o chamado voto de Minerva é do presidente. Todavia, o presidente do STF apostou no número par. Segundo o regimento interno do STF, o presidente tem a prerrogativa de desempatar o placar. Desde que foi instituído, em dezembro do ano passado, o voto de desempate ainda não foi utilizado ali. E ele proseou de que “não tem nenhuma vocação para déspota e não acha que seu voto vale mais do que o dos colegas”. Por que deixou que fosse aprovada essa regra de desempate em dezembro do ano passado? Dura lex sed lex. Ele descumpriu a lei. Que repetisse seu voto e deixasse os fichas sujas continuarem elegíveis, mas votasse. O “pepino” do desempate (que responsa hem?) fica para o próximo ministro que seria ainda nomeado pelo atual presidente da República. Será que este faz tal nomeação ainda em sua gestão? E a outra possibilidade, prevista nas regras da Corte: com o empate, considerar como resultado do julgamento a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contrária ao pedido do recurso, ou seja, a favor da validade da ficha limpa. Mas, esta hipótese parece não colar, como as leis que não colam. No STF, composto por 11 ministros seu presidente esqueceu ou resolveu apostar na sorte, de que o escore poderia ser 9 a 1, 8 a 2, 7 a 3, 6 a 4, mas nunca 5 a 5. Será mesmo cara pálida? No julgamento do mandado de segurança do então presidente da República (aquele mesmo do impeachment que agora ta mais limpo que algodão cirúrgico), em 1993, o então presidente do Supremo convocou 3 ministros do STJ. Para o julgamento de ontem, só faltava um, unzinho, como dizemos por aqui, que não faria diferença, porque era muita zebra terminar empatada a partida. E deu no que deu. E agora, quando será desempatada? Sine die (sem dia, sem previsão), num dia que nem eles sabem e nem presumem quando, apesar das possibilidades.

Refletindo com Rubem Alves O ntem recebi com alegria a informação que uma pessoa amiga disse a outra estar sentindo falta de meus esc...